quarta-feira, 15 de maio de 2013

Dois poemas feitos à semelhança de "A caneta preta" de Manuel António Pina


O piano

 
Tenho um piano

que não para de tocar;

é tanta a animação

que não me deixa descansar.

 

Foi mal acostumado

por outro pianista

que tocava em todo o lado

das Antas à Boavista.

 

Que hei de eu fazer

para ele acalmar,

deixar-me dormir

e parar de tocar?

                                                                         Beatriz Santos,  n.º 3. 6.º D 



A minha borracha

 
A minha borracha

 é muito velhinha,

não apaga direito

e suja-me a folhinha.

 

Está muito velhinha,

está muito cansada.

Não sei que te faça,

borracha safada!

 

Apaga, borracha,

sem ressentimentos.

Não sujes nem estragues

os meus apontamentos.

 

Folhas e folhas

 tenho que desperdiçar,

borracha safada,

vou-te reformar!

 

Vou-te reformar?

Vou dar-te um banhinho?

Borracha velhinha,

apaga direitinho.

 

Apaga, borracha,

minha borrachinha,

faz o teu trabalho,

borracha velhinha.                                                                                            
 
                                                                          Rita Freitas, 6.º D. n.º 20

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